novembro 06, 2005

Estudo (5) - Algumas Experiências Pedagógicas

Ministério da Educação de Itália
Comissão sobre a Língua Internacional (conhecida como Esperanto)
Decreto Interministerial – 29 de Abril/ 5 de Outubro 1993
ESTUDO
Roma, 22 de Dezembro de 1993
Índice:
INTRODUÇÃO (Estudo1)
1. A Língua Internacional (Estudo2)
1.1 Os reconhecimentos oficiais (Estudo3)
1.2. A língua internacional no ensino orientado para as línguas (Estudo4)
1.2.1. ALGUMAS EXPERIÊNCIAS PEDAGÓGICAS
1.3. Conclusões
2. As Propostas

1.2.1. Algumas experiências pedagógicas

É interessante analisar a quantidade de experiências pedagógicas de diferentes lugares e tempos. Apresentam-se de seguida as mais significativas:
Escola Secundária Feminina de Bishop, Auckland (GB)
Anos: 1918-1921
Objectivos: investigar se a aprendizagem anterior de esperanto facilita a aprendizagem posterior de francês e alemão.
Conclusões:
- A gramática racional e simples de esperanto é, em especial para crianças menos dotadas, uma ponte que facilita a passagem às gramáticas complicadas do francês e alemão.
- Torna evidente o significado dos termos gramaticais;
- Indica claramente o significado das terminações gramaticais;
- Habitua a criança à ideia de família de palavras, construção de palavras e derivadas;
- O esperanto introduz no aluno vocabulário internacional.
Publicações (ver bibliografia):
Alexandra FISHER: Modern languages by way of Esperanto.
Pri eksperimento farita en Bishop, Auckland (GB) en la jaroj 1918-21, em Internacia Pedagogia Revuo, 1931

Escola Primária Episcopal de Auckland (Nova Zelândia)
Anos: 1922-1924
Objectivos: comparar a facilidade de aprendizagem de esperanto e francês.
Publicação: artigo em Enciklopedio de Esperanto, vol. 1, p. 436 sobre o valor pedagógico do esperanto.

Wellesley College, Departamento de Psicologia (Ohio, EUA)
Anos: 1924
Objectivos: investigar se as línguas “sintéticas” são mais fáceis e rápidas de aprender que as línguas étnicas. Comparação de esperanto e dinamarquês.
Conclusões: os estudantes de esperanto obtiveram melhores resultados que os de dinamarquês, entre outros por causa da estrutura interna do esperanto e pelo interesse e entusiasmo que o esperanto suscitou na mente dos alunos.
Publicação: Christian RUCKMICK: The Wellesley College Danish-Esperanto experiment.

Universidade de Columbia, Nova Iorque (EUA)
Anos: 1925-1931
Objectivos: investigar se e quanto é uma língua planeada mais fácil de aprender que uma língua étnica. Nota: a experiência foi organizada a pedido da IALA (International Auxiliary Language Association) pelo Doutor Edward Thorndike, director da Secção de Psicologia do Instituto de Investigação em Educação, Universidade de Columbia.
Conclusões:
- é possível ao aluno mediano uma melhor compreensão e escrita de esperanto em 20 horas do que das línguas francesa, alemã, italiana ou espanhola após 100 horas de estudo;
- 5 horas de estudo de alemão não tem quase nenhum efeito; 5 horas de estudo de esperanto é suficiente para dar uma ideia geral sobre toda a gramática do esperanto;
- em geral, para um estudo de 10 a 100 horas, os resultados obtidos após aprendizagem de uma língua sintética aparentemente são cinco a quinze vezes melhores que os obtidos com uma língua étnica, dependendo da sua dificuldade (Eaton, p. 6-7);
- para anglófonos, os resultados do estudo de latim, alemão e francês são melhores se tiverem anteriormente aprendido uma língua planeada como introdução propedêutica (Eaton, p.27-30)
Publicação: Helen S. EATON: Language Learning. Summary.

Public Highschool, Nova Iorque (EUA)
Anos: 1934-1935
Objectivos: investigar a influência do estudo de Esperanto durante um semestre na aprendizagem posterior de francês e, em paralelo, da língua materna inglês.
Publicação: Helen S. EATON: An Experiment in Language Learning.

Escola Provincial Grammar, Sheffield (GB)
Anos: 1947-1951
Objectivos: verificar se o esperanto é uma introdução útil para a aprendizagem de francês. Conclusões: resumidamente pode concluir-se que, entre os alunos menos dotados, aqueles que dedicaram um ano ao estudo de esperanto tiveram maior sucesso em francês após quatro anos de estudo, dedicando nos três anos de estudo desta língua o mesmo tempo que os outros colegas. Contudo os alunos mais dotados que estudaram quatro anos de francês superaram os seus colegas. Os que começaram por estudar esperanto tinham mais conhecimento “passivo” e os que começaram pelo francês adquiriram melhor “uso activo”.
Publicação:
J.H. HALLORAN (Professor em Educação na Universidade de Sheffield): A four year experiment in Esperanto as an introduction to French.
V.C. NIXON: Lastatempaj eksperimentoj pri Esperanto en lernejoj.

Escola de Egerton Parkl, Denton (Manchester, GB)
Anos: 1948-1965.
Objectivos: investigar em alunos menos dotados se a aprendizagem anterior de esperanto facilita a aprendizagem de francês
Conclusões: uma criança pode aprender tanto esperanto em cerca de 6 meses como francês durante 3-4 anos. Se todos os alunos aprendessem esperanto durante os primeiros 6-12 meses de um curso de 4-5 anos de francês, ganhariam muito e não perderiam nada.
Publicação: Norman WILLIAMS (director de escola): Report on the teaching of Esperanto from 1948 to 1965.

Escola Secundária de Somero (Finlândia)
Anos: 1958-1963
Objectivos: investigar o progresso do estudo de esperanto e se este facilita ou dificulta a aprendizagem do alemão.
Nota: a experiência decorreu sob controlo do Ministério da Educação.
Conclusões:
- o nível de conhecimento atingido em esperanto é, de forma evidente, superior ao que seria possível atingir noutra qualquer língua estrangeira;
- constatou-se, nos alunos de esperanto, uma incontestável superioridade na capacidade de aprender alemão;
- os resultados rápidos obtidos na aprendizagem de esperanto gera nos alunos entusiasmo e auto-confiança;
- a capacidade de interpretar novas formas de expressão ajuda subconscientemente à aquisição de novas línguas estrangeiras.
Publicação:
J. VILKKI, V. SETÄLÄ: La eksperimenta instruado de Esperanto en la geknaba mezgrada lernejo de Somero ( Suomio);
V. SETÄLÄ: Vizito al la eksperimenta lernejo en Somero, Finnlando.

Universidade Eötvös Lorand, Budapest (Hungria)
Anos: 1962-1963
Objectivos: comparar, em três turmas do ensino secundário, os resultados da aprendizagem de esperanto com os das línguas russa, inglesa e alemã.
Conclusões:
Para as crianças húngaras, os coeficientes resultantes, considerando os objectivos esperados, são: para o russo 30%, para o alemão 40%, para o inglês 60% e para o esperanto 130%. “Estes indicadores demonstram perfeitamente as primeiras constatações do Prof. Barczi: nas condições de ensino de línguas nas escolas, o esperanto é a única língua estrangeira cujos objectivos são passíveis de ser atingidos” (Szerdahelyi, 1970, citado em Lobin, p. 39)
Publicação:
SZERDAHELYI Istvàn (Prof. Universitário): La didaktika loko de la Internacia Lingvo en la sistemo de lernejaj studobjektoj;
Günter LOBIN: Die Internacia Lingvo als Bildungskibernetisches Sprachmodell, p.59.

Experiência internacional de pedagogia didáctica, 1ª região
Anos: 1971-1974
Organização: Liga Internacional de Professores de Esperanto (ILEI).
Colaboração: 2 turmas da Bulgária, 9 da Hungria, 5 da Itália, 6 da Jugoslávia.
Objectivos:
- demonstrar que, em condições de formação normais, o esperanto é de mais fácil aprendizagem que outras línguas;
- investigar se a aprendizagem de esperanto enriquece a compreensão linguística e se devido a isso se atinge uma melhor compreensão da língua materna;
- investigar se o esperanto como língua internacional e neutral possui boas qualidades pedagógicas utilizáveis e se, consequentemente, facilita a aprendizagem de outras línguas;
- demonstrar que mesmo durante a aprendizagem o esperanto é utilizável de diversas formas, mais do que outras línguas estrangeiras.
Publicação:
KOVÁCS Marta: Internacia pedagogia-didaktika eksperimento kvinlanda.
INGUSZ Johano: Instruspertoj en esperantfakaj turmas (en Hungario).

Experiência internacional de pedagogia didáctica, 2ª região
Anos: 1975-1977
Organização: Liga Internacional de Professores de Esperanto (ILEI).
Colaboração: 16 estudantes da Bélgica, 45 da França, 90 da Grécia, 77 da R.F. Alemã e 74 da Holanda.
Fim-de-semana em comum em St.Gérard (BE) em 1977: ensino em esperanto de matemática, geografia (“A Europa e nós”), desenho, desporto, música e esperanto.
Objectivos:
- demonstrar a melhor eficiência e economia na aprendizagem, relativamente à aprendizagem de outras línguas estrangeiras;
- estudar a influência do esperanto na melhor aprendizagem da língua materna;
- explorar a aceleração na evolução da capacidade de leitura e ortografia em crianças, em especial aquelas com problemas de aprendizagem neste domínio;
- gerar apetência pela compreensão da língua a tal nível que as crianças sejam capazes de aprender mais facilmente outras línguas estrangeiras;
- contribuir para a educação para a Europa das crianças e para o internacionalismo humanista.
Conclusões:
- opinião do inspector geral belga, não-esperantista: “o esperanto é uma língua adequada como base para aqueles que pretendem aprender uma língua estrangeira”;
- constatou-se uma evolução positiva do progresso no sentido da internacionalização. Além disso, o esperanto mostrou ser um instrumento adequado para a intercompreensão, e excelente veículo das matérias ensinadas.
Publicação:
Helmut SONNABEND: Esperanto: lerneja eksperimento.

Introdução ao estudo de línguas: modelo de Paderborn.
Anos: segunda metade dos anos 70 e início dos anos 80.
Esta forma de ensino foi objecto de um estudo aprofundado feito pela equipa do Instituto de Pedagogia Cibernética de Paderborn (DE), sob orientação do Prof. H. Frank, conhecido pelo seu trabalho na área da cibernética. O estudo caracteriza-se pela introdução ao estudo de línguas estrangeiras, destina-se a crianças de 8 a 10 anos e baseia-se na comparação entre línguas usando o esperanto como referência. Por ser perfeitamente adaptado às crianças, este mostra-se pedagogicamente muito eficiente. Cientificamente quantificados, os resultados confirmam que este método de introdução ao estudo das línguas:
- aumenta consideravelmente o interesse das crianças pela diversidade das culturas e línguas europeias;
- torna necessário um investimento de tempo pequeno relativamente ao tempo poupado na aprendizagem de outras línguas estrangeiras;
- facilita também a aprendizagem da língua materna, de geografia e de matemática;
- cria muito cedo a possibilidade de comunicação inter-étnica adaptada às crianças sem limitar os seus horizontes ao país de uma língua privilegiada. Desta forma abre caminho a uma melhor compreensão entre os povos sem discriminação linguística
Fonte: Actas dos encontros anuais de Paderborn em Novembro “Conferências de Trabalho sobre Interlinguística na Ciência e Educação”, disponíveis no Instituto de Pedagogia Cibernética de Paderborn.
Publicações de Frank, Lobin, Geisler, Meder (ver bibliografia).

Experiência numa escola primária italiana.
Em Itália, onde se encontra sobre o esperanto uma circular favorável de 1952 do ministro da educação Segni, ocorreram diversas experiências sobre o uso da língua internacional, em especial na cidade Cesena (Gianfranca Braschi Taddei), Cagliari (Nino Pala) e Génova. A experiência aqui referida foi realizada na província de Génova, na escola do ensino básico “Rocca”, em San Salvatore di Cogorno.
Anos: 1983-1988
Turmas: 9 a 11 anos (aprenderam esperanto); 11 a 14 anos (aprenderam francês).
Objectivos:
- apropriação rápida de um instrumento de comunicação para uso imediato em relações transnacionais (correspondência, encontros eventuais);
- dispor de um modelo de comparação simples e regular para maior eficácia na aprendizagem da língua materna;
- preparar base prática para a aprendizagem futura de línguas estrangeiras;
- servir como enriquecimento do programa de ensino e educação por meio do seu uso para os demais objectos de estudo
Conclusões:
- segundo os controlos finais, a capacidade de expressão atingida pelas crianças é notavelmente boa: dialogam espontaneamente sobre diversos temas; a sua expressão é correcta; incorrecções gramaticais e de léxico por vezes ocorrem mas sem impossibilitar a intercompreensão;
- tendo comparado os resultados dos mesmos estudantes em esperanto e francês, retiraram-se ilações sobre a rapidez de aprendizagem das duas línguas;
- tendo comparado os exercícios de francês dos alunos que aprenderam previamente esperanto com os que não tiveram esta preparação, obtiveram-se indicações sobre o valor propedêutico da língua internacional.
Publicação:
Elisabetta FORMAGGIO (em Chiavari, Itália), vd. Lerneja eksperimento pri lernfacileco kaj transfero en la fremdlingvoinstruado.

Posted by eurolingua at novembro 6, 2005 05:29 PM
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