Eurolingua
dezembro 2007
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   Trata da necessidade de defender a língua portuguesa na União Europeia e ao mesmo tempo, porque inseparável, defender a possibilidade de subsistência da própria União Europeia.

dezembro 25, 2007


2008 - Ano Internacional das Línguas


Mensagem do sr. Koichiro Matsuura, Director Geral da UNESCO, sobre a celebração do Ano Internacional das Línguas em 2008

O ano de 2008 foi declarado “Ano Internacional das Línguas” pela Assembleia Geral das Nações Unidas. A UNESCO, encarregada de coordenar as actividades do Ano, tenciona assumir de forma resoluta o papel de principal responsável.
A Organização está plenamente consciente da importância decisiva das línguas frente aos inúmeros desafios que a humanidade deverá enfrentar nos próximos decénios.
As línguas são essenciais para a identidade dos grupos e dos indivíduos, bem como para sua coexistência pacífica. Elas constituem um factor estratégico para a obtenção de um desenvolvimento sustentável e para a articulação harmoniosa entre o que é global e o que é local. São da máxima importância para atingir os seis objectivos da Educação Para Todos (EPT), assim como os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio (ODM), aprovados pelas Nações Unidas, em 2000.
Como factores de integração social, as línguas ocupam, na verdade, um lugar estratégico na eliminação da extrema pobreza e da fome (ODM 1), e como suportes na alfabetização e aquisição de competências para a vida são essenciais para tornar real o ensino primário universal (ODM 2). O combate ao HIV e à SIDA, à malária e a outras doenças (ODM 6), para chegar às populações atingidas, deve ser feito nas suas próprias línguas; e a protecção dos conhecimentos e das capacidades locais e autóctones, com o objectivo de assegurar uma gestão sustentável do ambiente (ODM 7), está intrinsecamente ligada às línguas locais e autóctones.
Além disso, a diversidade cultural está estreitamente ligada à diversidade linguística, como mostram a Declaração Universal sobre a Diversidade Cultural e o seu Plano de Acção (2001), a Convenção para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial (2003) e a Convenção sobre a Protecção e a Promoção da Diversidade das Expressões Culturais (2005).
Contudo, mais de 50% das 7.000 línguas faladas no mundo correm o risco de desaparecer dentro de algumas gerações. Menos de um quarto delas são utilizadas actualmente nas escolas e no ciberespaço, e a maioria delas são usadas esporadicamente. Milhares de línguas — mesmo que perfeitamente dominadas pelas pessoas que as usam quotidianamente como meio de expressão — estão ausentes do sistema educacional, dos meios de comunicação, da indústria editorial e do domínio público em geral.
Por isso é preciso agir. Mas como? Com o encorajamento e com o desenvolvimento de políticas linguísticas que permitam a cada comunidade linguística usar a sua língua principal, ou materna, tão amplamente e frequentemente quanto possível, incluindo o seu uso na educação, ao lado de uma língua nacional ou regional e de uma língua internacional. Incentivando, para além disso, os falantes das línguas dominantes a usar outra língua nacional ou regional e uma ou duas línguas internacionais. Só com a aceitação plena do multilinguismo, as línguas, todas as línguas, ocuparão os seus lugares no nosso mundo globalizado.
A UNESCO, portanto, convida os governos, as organizações da Nações Unidas, as organizações das sociedades civis, as instituições educacionais, as associações profissionais e todas as demais organizações a fomentar nas suas actividades o respeito, a promoção e a protecção de todas as línguas, em especial das que estão ameaçadas de extinção, em todas as situações da vida individual ou colectiva. Quer seja através de iniciativas nos campos da educação, do ciberespaço ou no contexto culto; quer seja através de projectos para a salvaguarda das línguas ameaçadas ou para a promoção das línguas como instrumentos de integração social; quer seja para explorar a relação entre as línguas e a economia, entre as línguas e os conhecimentos autóctones ou entre as línguas e a criação, é importante promover por toda a parte a ideia de que “as línguas são importantes!”.
Neste contexto, o Dia Internacional da Língua Materna, que a 21 de Fevereiro de 2008 se comemora pela nona vez, terá um significado particularmente importante e será uma ocasião muito propícia para o lançamento de iniciativas de promoção das línguas.
O nosso objectivo comum é tornar reconhecida — nacional, regional e internacionalmente — a importância da diversidade linguística e do multilinguismo nos sistemas educacionais, administrativos e jurídicos, nas manifestações culturais e também nos meios de comunicação, no ciberespaço e nos intercâmbios comerciais.
O Ano Internacional das Línguas, em 2008, será uma oportunidade única para alcançar de maneira decisiva a realização desses objectivos.



Publicado por eurolingua em 06:24 PM | Comentar (0)